Epodos de Horácio

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Epodos de Horácio (traduzidos em verso português)
por José Agostinho de Macedo
A tradução dos Epodos e Odes de Horácio por Macedo foi publicada pela primeira vez em Lisboa em 1806; por enquanto só o Epodo III está disponível.


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III

Se há parricida que do pai caduco O sangue derramasse, Alhos coma somente, que a cicuta É menos venenosa. Ó cegadores rústicos, vós tendes Estômagos de ferro. Que veneno cruel me despedaça As torradas entranhas. Atroz peçonha, víbora cruenta Lançou nestes manjares Ou deles foi maldita cozinheira A pérfida Canídia Quando o belo Jasão, dos argonautas O condutor valente, Foi subjugar os indomáveis touros, Sob ignorado jugo, Medéia os membros lhe banhou com o sumo Dos alhos espremido Antes que as rédeas aos dragões sanhudos, Batesse sobre os ares, Fugindo de Corinto, com tal sumo Os vestidos molhava Com que do leito seu vingava a afronta Na rival inocente. Jamais nos campos de Calábria, Sírio Vomitou tanto fogo, Jamais nas veias do valente Alcides De Neso as vestiduras Tantos acesos turbilhões lançaram De chama abrasadora E se veneno tal, teu gosto prende, Verás, caro Mecenas, Corno de ti fugindo a terna moça Teus ósculos rejeita.