Espontaneidades da minha alma/Apresentação

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Espontaneidades da minha alma por José da Silva Maia Ferreira
[Apresentação]


Se avaliardes a minha linguagem, como na culta Europa, muitas vezes, as Senhoras avaliam os homens pelo traje, por sem duvida não encontrareis nas minhas fracas inspirações esse bello e brilhante, que á maneira de prisma, espalha por toda a parte as suas côres vistosas; — mas se d’alma pesardes o que eu tambem d’alma escrevi, — e que ousado só a vós dedico, conhecereis, Senhoras, que estes canticos tão pobres, e que de convicção os reconheço despidos de purpuras Reaes — de oiro — e de pedrarias — são cantos do mais intimo de minha alma, brotados pelo desamor de um fado por algum tempo imigo, que me obrigou, açodado, a vibra-los longe da patria e dos meus, em pobre e dissonante lyra — tangida em só tres cordas — Deus, Patria e Amor!

Fóra, bem fóra estou eu do alcance dos virentes louros da musa mantuana, e de muitas outras que tanto extasiaram o mundo inteiro: — de sobra me bastára a do Cysne do Mondego e do Lima, e já que assim não é, por compensação, tende sobre os vossos corações estes meus debeis cantos, — embora vos soprem de continuo aos ouvidos — que são do mais mesquinho cantor d’Africa adusta.


Loanda 1.º de Outubro de 1849.
O Author.