Essa de ilustre máquina beleza

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Essa de ilustre máquina beleza
por Manuel Botelho de Oliveira


A um ilustre edifício de colunas, e arcos

Essa de ilustre máquina beleza,
Que o tempo goza, e contra o tempo atura;
É soberbo primor da arquitetura,
É pródigo milagre da grandeza.

Fadiga da arte foi, que a Natureza
Inveja de seus brios mal segura;
E cada pedra, que nos Arcos dura,
É língua muda da fatal empresa.

Não teme da fortuna os vários cortes,
Nem do tempo os discursos por errantes,
Arma-se firme contra as leis das sortes.

Que nas colunas, e Arcos elegantes,
Contra a fortuna tem colunas fortes,
Contra o tempo fabrica Arcos triunfantes.