Estema de lírios

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Estema de lírios
por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.


Na morte de F. G.

Subia esbelta, assim como a palmeira:
Parou na glória de uma vida intensa,
Como quem pára de repente, e pensa,
E volta atrás, e busca o que esquecera...

Era o céu que deixara à cabeceira,
Onde dormiu com ela a fé e a crença:
Bela mulher, que nela abria, a doença
Fê-la sustar na esplêndida carreira.

Foi um sorriso o último transporte,
Fim do rumor dos últimos delírios:
Só tremeu para dar mais calma ao forte;

E à luz velada dos trementes círios
Luziu-lhe à fronte a palidez da morte,
Como se fosse um círculo de lírios...