Eternidade retrospectiva (grafia original)

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Eternidade retrospectiva
por Cruz e Sousa
Poema agrupado posteriormente e publicado em Ultimos Sonetos (1905).
Texto com ortografia atualizada disponível em Eternidade retrospectiva (grafia atualizada).



Eu me recórdo de já ter vivido,
Mudo e só por olympicas Esphéras,
Onde éra tudo velhas primavéras
E tudo um vago aroma indefinido.

       5Fundas regiões do Pranto e do Gemido,
Onde as almas mais graves, mais austéras
Erravam como tremulas chiméras
Num sentimento extranho e commovido.


As estrellas longinquas e veladas,
       10Recordavam violaceas madrugadas,
Um clarão muito leve de saudade.

Eu me recórdo d'imaginativos
Luares lyriaes, contemplativos
Por onde eu já vivi na Eternidade!