Eu (Augusto dos Anjos, 1912)/Agonia de um Philosopho

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Agonia de um Philosopho


Consulto o Phtah-Hotep. Leio o obsoleto
Rig-Veda. E, ante obras taes, me não consolo.
O Inconsciente me assombra e eu nelle rólo
Com a eólica fúria do harmatan inquieto!

Assisto agora á morte de um insecto!
Ah! todos os phenómenos do sólo
Parecem realisar de polo a polo
O ideal de Anaximándro de Mileto!

No hieratico areopágo heterogeneo
Das idéas, percorro como um genio
Desde a alma de Hɶckel á alma cenobial!

Rasgo dos mundos o velário espesso;
E em tudo, igual a Gɶthe, reconheço
O imperio da substancia universal!