Eu (Augusto dos Anjos, 1912)/Budhismo Moderno

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Eu (1912)
por Augusto dos Anjos
Budhismo Moderno
Edição de referência: Rio de Janeiro: [s. n.], 1912. página 38.
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Budhismo Moderno


Tome, Dr., esta tesoura, e.    córte
Minha singularissima pessoa.
Que importa a mim que a bicharia rôa
Todo o meu coração, depois da morte?!

Ah! Um urubú pousou na minha sorte!
Tambem, das diatomáceas da lagôa
A cryptógama cápsula se esbrôa
Ao contacto de bronca dextra forte!

Dissolva-se, portanto, minha vida
Igualmente a uma céllula cahida
Na aberração de um ovulo infecundo;

Mas o aggregado abstracto das saudades
Fique batendo nas perpetuas grades
Do ultimo verso que eu fizer no mundo!