Eu (Augusto dos Anjos, 1912)/Vencedor

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Vencedor


Toma as espadas rutilas, guerreiro,
E á rutilancia das espadas, toma
A adaga de aço, o gladio de aço, e doma
Meu coração — extranho carniceiro!

Não pódes?! Chama então presto o primeiro
E o mais possante gládiador de Roma.
E qual mais prompto, e qual mais presto assoma,
Nenhum poude domar o prisioneiro.

Meu coração triumphava nas arenas.
Veio depois um domador de hyenas
E outro mais, e, por fim, veio um athleta,

Vieram todos, por fim; ao todo, uns cem...
E não poude domal-o emfim ninguem,
Que ninguem doma um coração de poeta!

 

Pau d’Arco — 1902