Eu (Augusto dos Anjos, 1912)/Vencido

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Vencido


No auge de atordoadora e ávida sanha
Leu tudo, desde o mais pristino mytho,
Por exemplo: o do boi Apis do Egypto
Ao velho Niebelungen da Allemanha.

Accommettido de uma fébre estranha
Sem o escándalo phónico de um grito,
Mergulhou a cabeça no Infinito,
Arrancou os cabellos na montanha!

Desceu depois á gleba mais bastarda,
Pondo a aurea insignia heráldica da farda
A vontade do vomito plebeu..

E ao vir-lhe o cuspo diário á bocca fria
O vencido pensava que cuspia
Na céllula infeliz de onde nasceu.

 
Parahyba, 1909.