Exhortação

Wikisource, a biblioteca livre

Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Exhortação
por Cruz e Sousa
Poema agrupado posteriormente e publicado em Ultimos Sonetos (1905).
Texto com ortografia atualizada disponível em Exortação.



Corpo crivado de sangrentas chagas,
Que atravéssas o mundo soluçando,
Que as carnes vaes ferindo e vaes rasgando
Do fundo d'Illusões velhas e vagas;

       5Grande isolado das terrestres plagas,
Que vives as Esphéras contemplando,
Braços erguidos, olhos no ar, olhando
A ethérea chamma das conquistas magas;


Se é de silencio e sombra passageira,
       10De cinza, desengano e de poeira
Este mundo feroz que te condemna;

Embóra anciosamente, amargamente
Revélla tudo o que tu'alma sente,
Para ella então poder ficar serena!