Flor em botão nascida, e já cortada

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Lizongea o sentimento de Francisco Moniz de Souza seu irmão fazendo em seu nome este soneto.
por Gregório de Matos
Poema agrupado posteriormente e publicado em Crônica do Viver Baiano SeiscentistaA Cidade e seus PícarosÂngela

Flor em botão nascida, e já cortada,
Tiranamente murcha em flor nascida,
Que nos primeiros átomos da vida,
Quando apenas sois nada, não sois nada.

Quem vos despiu a púrpura corada?
Como assim da beleza estais despida?
Mas ah Parca cruel! Morte atrevida!
Por que cortaste a flor mais engraçada?

Porém que importa, bem que me desvela
Na flor o golpe, se maior ventura
Vos prometo no Céu, bela Teresa.

De flor ao Céu passais a ser estrela,
E não perde de flor a formosura,
Quem no Céu melhor flor logra a beleza.