Flor nirvanisada

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Flor nirvanisada
por Cruz e Sousa
Poema agrupado posteriormente e publicado em Ultimos Sonetos (1905).
Texto com ortografia atualizada disponível em Flor nirvanizada.



Ó cégos corações, surdos ouvidos,
Boccas inuteis, sem clamor, fechadas,
Almas para os mysterios apagadas,
Sem segredos, sem écho e sem gemidos;

       5Consciencias hirsutas, de bandidos,
Vêsgas, nefandas e desmanteladas,
Portas de ferro, com furor trancadas,
Dos ócios máos hystericos Vencidos.


Desenterrae-vos das sangrentas furnas
       10Sinistras, cabalisticas, nocturnas,
Onde ruge o Peccado caudaloso...

Fazei da Dor, do triste Gozo humano,
A Flor do Sentimento soberano,
A Flor nirvanisada de outro Gozo!