Flores do Mal/Harmonia da Tarde

Wikisource, a biblioteca livre
< Flores do Mal

Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa

XLVIII

Harmonia da Tarde


Está a chegar o tempo em que se esmalta o prade;
Toda a flor é um crisol essência a distilar;
Os perfumes e os sons revolteiam no ar;
Uma valsa letal, langoroso bailado!

Toda a flor é um crisol essência a distilar;
Soluça o bandolim como um peito magoado;
Uma valsa letal, langoroso bailado!
O ceu lembra de um templo iluminado altar!

Soluça o bandolim como um peito magoado,
Um terno coração que sabe recordar!
O ceu lembra de um templo iluminado altar;
O Sol agonizou n’um leito ensanguentado...

Um terno coração que sabe recordar
Relembra com carinho os sonhos do passado!
O Sol agonizou n’um leito ensanguentado...
E eu ergo-te, mulher, iluminado altar!