Flores do Mal/Suprema Beleza

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XLIII

Toda Inteira


Suprema Beleza
Que dirás esta noite, ó pobre alma exilada,
Que dirás, coração, outrora na agonia,
Á formosa mulher, bondosa e muito amada,
Cujo celeste olhar é o sol que te alumia?

— Havemos de cantar, em psalmos gloriosos,
A doçura que existe em seu férreo domínio,
Seu corpo escultural, seus cabelos formosos,
E a luz do seu olhar ardente e velutíneo!

Quer seja pela noite, em plena solidão,
Quer seja pela rua, em plena multidão,
Como um archote a arder, seu vulto surje e encanta.

Ás vezes fala e diz: — «Sou bela, e vós haveis
«De por amor de mim ao Belo ser fieis;
«Sou o Anjo da guarda, a Musa, a Virgem santa!»