Fogos-fátuos

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Fogos-fátuos
por Cruz e Sousa
Poema agrupado posteriormente e publicado em Últimos Sonetos


Há certas almas vãs, galvanizadas
De emoção, de pureza, de bondade,
Que como toda a azul imensidade
Chegam a ser de súbito estreladas.

E ficam como que transfiguradas
Por momentos, na vaga suavidade
De quem se eleva com serenidade
Às risonhas, celestes madrugadas.

Mas nada às vezes nelas corresponde
Ao sonho e ninguém sabe mais por onde
Anda essa falsa e fugitiva chama...

É que no fundo, na secreta essência,
Essas almas de triste decadência
São lama sempre e sempre serão lama.