Gram sazom há que eu morrera já

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Gram sazom há que eu morrera já
por João Garcia de Guilhade


Gram sazom há que eu morrera já
por mia senhor, desejando seu bem;
mais ar direi-vos o que me detém
que nom per moir', e direi-vo-lo já:
       falam-me dela, e ar vou-a veer,
       [e] já quant'esto me faz já viver.
  
E esta coita 'm que eu viv'assi,
nunca en parte soube mia senhor;
e vou vivend'a gram pesar d'amor,
e direi já por quanto viv'assi:
       falam-me dela, e ar vou-a veer,
       [e] já quanto esto me faz já viver.
  
Nom viv'eu já se per aquesto nom:
ouç'eu as gentes no seu bem falar,
e vem amor logo por me matar,
e nom guaresco, se per esto nom:
       falam-me dela, e ar vou-a veer,
       [e] já quant'esto me faz já viver.
  
E viverei, mentre puder viver;
ca pois por ela m'e[u] hei a morrer.