Hóstias

Wikisource, a biblioteca livre
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Hóstias
por Cruz e Sousa
Poema agrupado posteriormente e publicado em O Livro DerradeiroOutros Sonetos


A Emílio de Menezes


Nos arminhos das nuvens do infinito
Vamos noivar por entre os esplendores,
Como aves soltas em vergéis de flores,
Ou penitentes de um estranho rito.

Que seja nosso amor — sidério mito! —
O límpido turíbulo das dores,
Derramando o incenso dos amores
Por sobre o humano coração aflito.

Como num templo, numa clara igreja,
Que o sonho nupcial gozado seja,
Que eu durma e sonhe nos teus níveos flancos.

Contigo aos astros fúlgidos alado,
Que sejam hóstias para o meu noivado
As flores virgens dos teus seios brancos!