Horizontes ao longe

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Horizontes ao longe
por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.


Quem sabe se não stás ouvindo em meu semblante
Cantar o rouxinol, que só de tarde canta?
Quem sabe o que estás vendo em mim e o que te espanta?
Há muito mortos sóis sobre nós neste instante.

Mas se souberas tu o que estou vendo adiante
De mim, no rosto teu de palidez de santa!...
Ninho vazio da beleza ingênua e infante,
Quanta diferença em ti dos tempos idos... quanta!...

Horizontes ao longe... e ainda aí perto, suponho-os.
Tu eras loura e criança e andavas no colégio:
Dias de raios de oiro, e eternos céus risonhos!...

Como inclinavas séria em mim teu corpo régio,
Só para ouvir passar por cima dos meus sonhos
As Venezas de Cardi e os anjos de Correggio...