Horrida domus

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Horrida domus
por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.


Chego: entrei. — Quatro cães emagrecidos,
Sujos, de instintos maus, saltam ladrando:
Em torno, um quadro à Holbein, ar miserando,
Tudo faminto: os trastes carcomidos.
 
Grossos de pó, estão como aturdidos,
Em confuso tropel: a custo ondeando,
Num choroso miar, e o olhar não brando
Dois gatos vêm ariscos e vencidos;
 
Com as unhas o chão desnu rompendo,
Sob um raio do sol alçando o dorso,
Rosnam baixinho, à luz adormecendo.
 
À sombra, ao lado oposto enfim me torço:
E eis que vejo a mexer-se um corpo horrendo,
Um trapo humano a rir num longo esforço!...