Invulneravel

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Invulneravel
por Cruz e Sousa
Poema agrupado posteriormente e publicado em Ultimos Sonetos (1905).
Texto com ortografia atualizada disponível em Invulnerável.



Essencia das essencias delicadas,
Meu perfumoso e tenebroso lyrio,
Oh! dá-me a gloria de celeste
Empyreo Da tu'alma nas sombras encantadas.

       5Subindo lento escadas por escadas,
Nas espiraes nervosas do Martyrio,
Das Ancias, da Vertigem, do Delirio,
Vou em busca de mágicas estradas.


Acompanha-me sempre o teu perfume,
       10Lyrio da Dor, que o Mal e o Bem resume,
Estrella negra, tenebroso fructo.

Oh! dá-ma a gloria do teu ser nevoento
Para que eu póssa haurir o sentimento
Das lagrimas acérbas do teu luto!