Lacre atrevido a ũa mão de Anarda

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Lacre atrevido a ũa mão de Anarda
por Manuel Botelho de Oliveira


Quando a tanta neve pura
Liquida-se ardor luzente
Solicita o centro ardente
Nessa ardente fermosura;
Oh como nele se apura,
Para que explique meu rogo
De meu pranto o desafogo!
Pois quando o lacre se adverte,
Lágrimas de fogo verte,
Verto lágrimas de fogo.

II
Porém com vário rigor
Essa chama lagrimosa,
Ardendo na mão formosa,
Queima da neve o candor:
Mas em teu peito, que Amor
Nunca o transforma, sujeito,
Logra meu pranto outro efeito;
Pois quando padeço tanto,
Estilo o fogo do pranto,
Não queimo a neve do peito.