Leão prisioneiro

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Leão prisioneiro
por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.


Foi uma insídia: ela atirou-o ao ignavo,
Amargo exílio, ergástulo de arame;
Gritou-lhe embora: — Rei da força, brame;
Darda-me os raios dos teus olhos, bravo.

Nada o exacerba; nada o irrita. — Exame
Cobarde sofre à juba, ao pelo flavo;
Chumba-o a implacabilidade alvar do escravo,
Quieto, calmo, sonolento, infame...

Como um vencido estúpido da sorte,
Encheu-se de mudez e de sigilo,
Que é outra morte, antes de vir a morte.

Desdenhoso, incolérico, tranqüilo,
Guarda esse orgulho, púrpura do forte,
Régio trapo que o envolve em tudo aquilo.