Magestade cahida

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Magestade cahida
por Cruz e Sousa
Poema publicado em Broqueis (1893).
Obra com ortografia atualizada disponível em Majestade caída.




Esse cornóide deus funambulesco
Em torno ao qual as Potestades rugem,
Lembra os trovões, que tétricos estrugem,
No riso alvar de truão carnavalesco.

De ironias o mômo picaresco
Abre-lhe a bocca e uns dentes de ferrugem,
Verdes gengivas de ácida salsugem
Móstra e parece um Satyro dantesco.


Mas ninguem nóta as coleras horriveis,
Os chascos, os sarcasmos impassiveis
Dessa estranha e tremenda Magestade.

Do tôrvo deus hediondo, atroz, nefando,
Senil, que embóra rindo, está chorando
Os Noivados em flôr da Mocidade !