Marmores (1895)/Nocturno

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XII
Nocturno

Pesa o silencio sobre a terra. Por extenso
Caminho, passo a passo, o cortejo funereo
Se arrasta em direcção ao negro cemiterio...
Á frente, um vulto agita a caçoula do incenso.

E o cortejo caminha. Os cantos do psalterio
Ouvem-se. O morto vae numa rêde suspenso;
Uma mulher enxuga as lagrimas ao lenço;
Chora no ar o rumor de um mysticismo aereo.

Uma ave canta; o vento acorda. A ampla mortalha
Da noite se illumina ao resplendor da lua...
Uma estrige soluça; a folhagem farfalha.

E emquanto paira no ar esse rumor das calmas
Noites, acima delle, em silencio, fluctua
O Lausperenne mudo e supplice das almas.