Mealheiro de almas (grafia original)

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Mealheiro de almas
por Cruz e Sousa
Poema agrupado posteriormente e publicado em Ultimos Sonetos (1905).
Texto com ortografia atualizada disponível em Mealheiro de almas (grafia atualizada).



Lá das colheitas do celeste trigo
Deus ainda escolhe a mais louçã colheita:
É a alma mais serena e mais perfeita
Que elle destina conservar comsigo.

       5Fica lá, livre, isenta de perigo,
Tranquilla, pura, limpida, direita
A alma sagrada que resume a seita
Dos que fazem do Amor eterno Abrigo.


Elle quer essas almas, os pães alvos
       10Das aras celestiaes, claros e salvos
Da Terra em busca das Esphéras calmas.

Elle quer d'ellas todo o amor primeiro
Para formar o candido mealheiro
Que ha de estrellar todo o Infinito de almas.