Memórias Póstumas de Brás Cubas/CXIX

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Memórias Póstumas de Brás Cubas por Machado de Assis
Capítulo CXIX: Parêntesis

CAPITULO CXIX

 
Parenthesis
 

(Haverá uma critica tão perversa que possa attribuir a minha opinião sobre la Bruyère á inveja das suas maximas? Eu aparo desde já esse golpe, transcrevendo algumas das que compuz por aquelle tempo, e rasguei logo depois, por não me parecerem dignas do prélo. Fil-as n’um periodo em que a flor amarella do capitulo XXV tornára a abrir; eram bocejos de enfado. E se não vejam:


Supporta-se com paciencia a colica do proximo.


Matamos o tempo; o tempo nos enterra.


Um cocheiro philosopho costumava dizer que o gosto da carruagem seria diminuto, se todos andassem de carruagem.


Crê em ti; mas nem sempre duvides dos outros.


Não se comprehende que um botocudo fure o beiço para enfeital-o com um pedaço de páu. Esta reflexão é de um joalheiro.


Não te irrites se te pagarem mal um beneficio: antes cair das nuvens, que de um terceiro andar.)