Minha vyda

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Minha vyda
por Garcia de Resende
Vilancete publicado em 1516 no Cancioneiro Geral de Garcia de Resende.


Vylançete de garçia de rresende a que tambem fez o som.

Minha vyda,
poys esperança nam tem,
nam na deseje ninguem.

Se souberam
meus olhos, quando vos vyram,
o mal c'avya de sser,
nam poderam
consentyr, nem conssentyram,
ver-m'assy loguo perder.
Padeçer
he meu e nam de ninguem,
sem desejar nenhum bem.

Quem quiser
nam ser mal-aventurado,
nem ter sempre triste vyda,
ha mester,
como se vyr com cuydado,
que lhe de loguo sahyda.
que perdida
he a vyda que o tem
sem esperar nenhum bem.

Dyguo isto
porque loguo nam momento
perdy toda a esperança,
tenho vysto
perder muyto em pouco tempo
e ganhar desconfiança.
hoo lembrança!
nam me vos tyre ninguem,
que jaa nom quer'outro bem.

Cabo.

Porque sey
que tudo ha d'acabar
contrayro do que s'espera.
bradarey
que se goardem d'esperar,
porqu'esperar desespera.
Se me dera
este conselho alguem
quyçaa me goardara bem.