Mocidade velha

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Mocidade velha
por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.


Estás tão velha, ó jovem minha amada!
Quando os sonhos nos vão pela corrente
São como as folhas secas, e igualmente
Água os leva, cantando e descuidada.

Como sem cordas lira desmontada,
Oco tronco esgalhado, e já pendente,
Como sombra que deixa o sol no poente,
A nossa vida é festa abandonada.

Cada passada é numa sepultura,
Onde está podre tudo que é quimera:
Nem há mais para dar-lhe a formosura.

Não ri a primavera que nos ria.
A pedra dura é cada vez mais dura,
A terra fria é cada vez mais fria.