Não sei se diga (oh bruto) que viveste

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Não sei se diga (oh bruto) que viveste
por Manuel Botelho de Oliveira


À morte felicíssima de um javali
pelo tiro, que nele fez ũa infanta
de Portugal

Não sei se diga (oh bruto) que viveste,
Ou se alcançaste morte venturosa;
Pois morrendo da destra valorosa,
Melhor vida na morte mereceste.

Esse tiro fatal, de que morreste,
Em ti fez ũa ação generosa,
Que entre o fogo da pólvora ditosa
Da nobre glória o fogo recebeste.

Deves agradecer essa ferida,
Quando esse tiro o coração te inflama,
Pois a maior grandeza te convida:

De sorte, que te abriu do golpe a chama
Uma porta perpétua para a vida,
Ũa boca sonora para a fama.