Não te vás, esperança presumida

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Não te vás, esperança presumida,
A remontar a tão sublime esfera,
Que são as dilações dessa quimera
Remora para o passo desta vida.

Num desengano acaba reduzida
A larga propensão, do que se espera,
E se na vida o adquirir te altera,
Para penar na morte te convida.

Mas voa, inda que breve te discorres,
Pois se adoro um desdém, que é teu motivo,
Quando te precipitas, me discorres.

Que ne obriga meu fado mais esquivo,
Que se eu vivo da causa, de que morres,
Que morras tu da causa, de que vivo.