Na Sepultura de Zara

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Na Sepultura de Zara
por Antero de Quental
Poema publicado em Raios de Raios de Extincta Luz.


Estes bellos versos não eram destinados á imprensa, e appareceram publicados em uma revista de Lisboa, sem consentimento do auctor ou da familia da menina cuja morte pranteiam. Anthero recusara-se a imprimil-os, como se vê da seguinte carta que appareceu entre os
papeis de Eduardo Coimbra e que a mãe do mallogrado moço, a sr.ª D. Anna Coimbra offereceu com varios outros documentos ao mais
querido amigo de seu filho:

«Villa do Conde, sabbado.

Meu joven poeta

São reservados, e pertencem ao nosso Joaquim os versos a que allude. É claro que sem licença d'elle não devem imprimir-se.
Deixe-os no tumulo da desditosa criança, que lá fallam melhor aos que a estremeceram. Se porém combinarem trasladal-os para qualquer
publicação, addiccione o meu amigo ao nome da pobre Zara o do desolado irmão. Para elle foram feitos, a elle serão dedicados.

E nada mais por hoje, meu amado poeta

eu do C.

Anthero de Q.»

ZARA

A JOAQUIM DE ARAUJO

Feliz de quem passou por entre a magoa
E as paixões da existencia tumultuosa,
Inconsciente, como passa a rosa,
E leve, como a sombra sobre a agua.

Era-te a vida um sonho. Indefinido
E tenue, mas suave e transparente...
Acordaste, sorriste... e vagamente
Continuaste o sonho interrompido.

1881.

TRADUCÇÃO ALLEMÃ

DE WILHELM STORCK

Glückselig wer vorüberging am Weh
Des Lebens und der Leidenschaft Getose
Unwissend, wie vorübergeht die Rose,
Und flüchtig, wie der Schatten ob der See.

Dein Leben war ein Traum, begriffen kaum
Und leicht und Lieblichkeit D'u trankest;
Du wachtest auf und lacheltest und sankest
Züruck in Deinen unterbroch'nen Traum.

Münster, abril, 91.

XXVI