Niobe

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Niobe
por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.


Via-a sempre. — Era um anjo fulminado,
Ou num longínquo exílio uma princesa;
E seu rosto comprido e desmaiado
Cobria o véu duma mortal tristeza.
 
No velho e nobre busto esculturado
Guardava o traço augusto da beleza,
No olhar de aço brilhante a chama acesa,
E o lábio, aos cantos, com desdém tirado.
 
Nas magras mãos, nos longos dedos tinha
Veias grossas, azuis; o andar sereno:
Do tronco um pouco já quebrada a linha.
 
O pé, calçado com primor, pequeno;
Boa, com graves gestos de rainha,
Que não quer mais reinar, nem quer mais reino...