No seio da Terra (grafia original)

Wikisource, a biblioteca livre
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
No seio da Terra
por Cruz e Sousa
Poema agrupado posteriormente e publicado em Ultimos Sonetos (1905).
Texto com ortografia atualizada disponível em No seio da Terra (grafia atualizada).



Do pélago dos pélagos sombrios
Lá do seio da Terra olhando as vidas,
Escuto o murmurar de almas perdidas,
Como o secréto murmurar dos rios.

       5Trazem-me os ventos negros calafrios
E os soluços das almas doloridas,
Que têm sêde das Terras promettidas
E mórrem como abutres erradios.


As ancias sóbem, as tremendas ancias!
       10Velhices, mocidades e as infancias
Humanas entre a Dor se despedaçam...

Mas sobre tantos convulsivos gritos
Passam horas, espaços, infinitos;
Esphéras, gerações, sonhando, passam!