O Amor e o Tempo

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O Amor e o Tempo
por António Feijó


(CHRISTOPULOS)

Pela montanha alcantilada
Todos quatro em alegre companhia,
O Amor, o Tempo, a minha Amada
E eu subiamos um dia.

Da minha Amada no gentil semblante
Já se viam indicios de cansaço;
O Amor passava-nos adeante
E o Tempo accelerava o passo.

--«Amor! Amor! mais de vagar!
Não corras tanto assim, que tão ligeira
Não pode com certeza caminhar
A minha doce companheira!»

Subito, o Amor e o Tempo, combinados,
Abrem as asas trémulas ao vento...
— «Porque voaes assim tão apressados?
Onde vos dirigis?»--Nesse momento,

Volta-se o Amor e diz com azedume:
--«Tende paciencia, amigos meus!
Eu sempre tive este costume
De fugir com o Tempo... Adeus! Adeus!»