O Boi Surubim

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O Boi Surubim
coletado por Sílvio Romero
Publicado em Cantos populares do Brasil. (Ceará)

Nasceu um bezerro macho
No curral da Independência,
Filho de uma vaca mansa
Por nome de Paciência.
Quando o Surubim nasceu
Daí a um mês se ferrou
Na porteira do curral
Cinco touros enxotou.
Na porteira do curral
Onde o Surubim cavou
Ficou um barreiro tal
Que nunca mais se aterrou.
Na praça da cacimba
Onde o Surubim pisou
Ficou a terra acanhada,
Nunca mais capim criou.
Um relho de duas braças,
Que o Surubim amarrou,
Botou-se numa balança,
Duas arrobas pesou.
Fui passando num sobrado,
Uma moça me chamou:
— Quer vender o Surubim?
Um conto de réis eu dou.
"Guarde o seu dinheiro, dona,
O Surubim não vendo, não.
— Dou um barco de fazenda,
De chita, e madapolão.
"Este meu boi Surubim
É um corredor de fama,
Tanto ele corre no duro,
Como nas vargens de lama.
Corre dentro, corre fora,
Corre dentro na catinga;
Corre quatro, cinco léguas
Com o suor nunca pinga.
Quando o Surubim morreu,
Silveira pôs-se a chorar:
Boi bonito como este
No sertão não nascerá:
Eu chamava, ele vinha:
— O-lé, o-lô, olá...