O Maltusianismo de Bismichnitt

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O Maltusianismo de Bismichnitt
por Humberto de Campos
Conto publicado em Grãos de Mostarda


(Max Viterbo)

Bismichnitt, o conhecido e próspero banqueiro berlinense, não queria ter filhos. Judeu de boa tempera, pretendia fazer economia de todos os modos, e evitava, por isso, todas as possibilidades de descendência.

Mme. Bismichnitt era, entretanto, de opinião contrária à do marido. Um filho, era o seu sonho, o seu ideal, o seu pensamento. E foi com esse tintuíto que, aconselho de uma das suas amigas mais íntimas, resolveu ir fazer uma estação nas águas termais de Kindermohl-Piot, sobejamente conhecidas pelas suas virtudes prolíficas.

Obtida a autorização do marido, madame seguiu para aquela estação de cura, afim de passar vinte dias. E já estava de viagem, quando um amigo de Bismichnitt o procurou.

— Fizeste uma asneira mandando tua esposa para Kinermohl-Piot. Tua mulher, quando regressar, vai te dar uma descendência, contra a tua vontade.

— Ah! Isso, não se dá, não, — duvidou o banqueiro israelita.

— Mas, se tem acontecido com a mulher dos outros!...

— É o menos... Com a minha não acontece. Eu sou comanditário do estabelecimento termal...

— ?!...

— E mandei afastar de lá o banhista!