O instinto das cousas

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O instinto das cousas
por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.


Que susto!... Um grito agudo, e hirta, deforme
Precipita-se ao leito, inda fremente
Geme, convulsa, esfria; e algente... algente
Crê-se que acaba num delíquio enorme.

Se entra quem passa, e pede a alguém que informe,
Que tem ela, o que foi tão de repente?
É irritável? caprichosa? mente?
— Sim — Então não stá morta; ela então dorme.

Céus e sóis lhe caíram da pupila;
Jazem as mãos ao longo em tronco extinto;
Como é mais bela, vendo-a assim tranquila!

Se ela se fosse, encantador instinto!
Com ela tudo quanto aqui cintila...
A alma de cada cousa iria... Eu sinto.