O jantar

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O jantar
por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.


Põe-se a mesa, isto é, deita-se a esteira
De tábua no chão batido: os pratos
De louça em roda; e a grande farinheira
De cuité cheia... A ondulação dos matos,
 
O acre perfume da floresta inteira,
A orquestra, a voz dos trêmulos regatos,
E um galho em flor de secular mangueira
Cobrem a mesa, — comensais exatos. —
 
Enrolada na nuca a negra coma,
A mãe com a panela às mãos assoma,
Zangada e alegre; o pai entra com um filho;
 
Os outros correm... grupam-se: a soslaio
O velhaco do sol, a rir, com um raio
Seu lambe o pó do lourejante milho...