O meu ramo!

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O meu ramo!
por José da Silva Maia Ferreira
Poema publicado em Espontaneidades da minha alma.


ao meu amigo


Manoel da Costa Carmo.


Despidas do odôr
Que tem no primor
As flôres d’amor
Um ramo compuz
É todo singello
Meu unico anhélo
Da côr do meu zelo
Que nellas eu puz. —

Saudades são ellas
Tão rôxas e bellas
Que só nas estrellas
Eu posso encontrar
O lume brilhante
Mimoso e fragrante
Que nellas constante
Costumo mirar!

Não tem a magia
Qu’enleva e extasia
No peito d’Armia
A roza no albôr —

Sorrindo-se airosa
Tão meiga e radiosa —
Qu’exprime vaidosa
Só falas d’amor!

Não tem a brancura
Qu’exprime candura
Tão maga e tão pura
Do niveo jasmim —
Nem cravo qu’inspira
O Bardo na lyra
No odor que delira
No rubro carmim! —

Mas todo saudade —
Tem flor d’amizade —
Qu’exprime bondade —
Que tem coração —
Sem ter o que encerra
Nos odios e guerra
Do mundo e da terra
D’amarga illusão.