O traço de união

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O traço de união
por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.


Não é o mar, que ocupa um vasto espaço,
Nem o intérmino céu, que o sol habita,
E a águia, que à garra o empolga, e o assalta, e o fita,
E, à volta, às asas dorme de cansaço;

Não Deus, cujos mistérios não devasso,
Não é o ódio, que queima, afasta, irrita,
Não o amor, que a união de almas incita,
Mulher divina, o único embaraço:

A vida é contra nós a arma mais forte;
O que me obriga a não beijar teu colo,
Nem talvez saibas, pálida consorte:

Olha, nós vamos, e hora e hora eu rolo
Para o último leito; eu sei que a morte
Há de unir-nos então, e me consolo...