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108 | 40 anos no interior do Brasil: aventuras de um engenheiro ferroviário

inevitável feijão preto com arroz, mas também conservas e vinho, pois os senhores americanos não viviam mal; eles tinham exigido “com alimentação” no contrato, e desta forma não se alimentavam nada mal; havia até mesmo Champanhe na barraca. Quando eu perguntei ao americano se ele também colocaria isto na conta, ele riu e disse:

“Mas como vocês alemães são certinhos! Nós alegamos que os cavalos comem mais milho”. Depois do almoço foi servido o forte e habitual café que os americanos “diluíam” em um pinguinho de whisky, então nos sentamos em volta da lareira que os americanos haviam construído de barro e pedra; pois não estava muito quente. Então novamente foi reunido um conselho de guerra, mas que desta vez teve uma cara bem diferente do que o da última estação. É que o americano, em cuja casa nós estávamos tinha uma opinião completamente divergente da dos seus senhores colegas e disse claramente que nós tínhamos cometido uma enorme leviandade em trazer o dinheiro pelo mato. Dr. Alaro começou a lamentar-se e acusou os outros americanos, estes se defendiam, eu ria, o tesoureiro amaldiçoava; era uma discussão bastante animada. De repente bateram à porta e entrou ninguém mais ninguém menos do que o próprio Dr. Salana em pessoa. Era um homem gentil de olhar enérgico e de aproximadamente trinta anos, com bigode ousado, olhos pretos e astutos e uma boca amigavelmente sorridente. Ele nos cumprimentou e garantiu que se alegrava imensamente de nossa vinda; e que, além disso, tínhamos sido muito gentis por já termos trazido o seu dinheiro e por isso ele nos era especialmente agradecido. Dr. Alaro o contrariou dizendo que ele estava equivocado; pois o dinheiro que nós tínhamos conosco seria destinado a pagar o seu pessoal, e diretamente. Ele então quis ter a cordialidade de dizer que cada um receberia de seu pessoal um recibo de quanto teriam para receber, então o tesoureiro os pagaria. O Dr. Salana fez uma expressão maliciosa, soltou uma risada resoluta e achou que tudo aquilo deveria ser uma grande brincadeira; pois ele não havia encarregado ninguém de pagar o seu pessoal e seu contrato estava registrado devidamente. O Dr. Alaro, que não era nada razoável, manteve uma longa conversa com ele e acabou dizendo que ele