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Página:A Dança do Destino - Lutegarda Guimarães de Caires (1913).pdf/108

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Collecção Antonio Maria Pereira

Dirigi-me para o pinhal.

Fugia da obscuridade vaga para a obscuridade da floresta.

Sentei-me num banco rustico, talhado na pedra, numa estreita clareira inteiramente desobstruida de um dos lados, por onde se via o mar.

Os pinheiros tinham perfis sinistros, flutuavam pela floresta sombras vagas, recortavam-se espessuras terriveis, e, a pouca distancia, cantava uma melopeia inconcebivel um pequeno veio cristalino, caindo tranquilamente num tôsco tanque de pedra, onde bebiam as pombas livres e a passarada brava que habitavam aquele recanto de paz.

O mar, lá em baixo, estagnava-se numa grande mancha indefinida, sem uma ruga, perdendo-se no horisonte, sem que de parte alguma surgisse uma véla a cortar a sensação de deserto e a monotonia da vastidão.

A minha atenção foi, porém, despertada por um subito rumor que vinha de uma balseira proxima, na extrema do pinhal, onde um terreno inculto se erriçava de espinhos, oculto nas desconfortadas dobras de um matagal espesso.

Era um tumultuar indescritivel de vozes, o rumor vago e indefinido dos sons, numa conjunção de gritos, de espirros, de guinchos subterraneos, de mistura com ululações de espingardas de cana e ruidos confusos de coisas infinitamente pequenas.

Uma coisa verdadeiramente enervante!

Esta anormalidade na solidão, despertou-me a curiosidade.