Página:A morgadinha dos canaviais.djvu/257

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—­Ora com Deus venha a minha fada; está querida Lena, que se não esquece dos seus amigos velhos... Boas festas me trazes pela noite, filha!

No rosto e nas maneiras de Magdalena havia evidentes indicios de preoccupação.

—­Boas noites, tío Vicente! Pouco me posso demorar; eu venho...

O herbanario conduziu-a para junto da mesa, onde estavam ainda os signaes de refeição, que havia pouco findára. Vendo os dois talheres, a morgadinha olhou interrogadamente para Vicente:

—­Estava alguem comsigo?

—­Esteve Augusto, que ceiou aquí. Porquê? Temos por ahi maïs alguns livros a comprar-lhe?—­continuou, sorrindo com benevola malicia.—­Tenho eu maïs uma vez de chamar em meu auxilio a fada que, de vez em quando, me ensina em segredo quaes os livros, que o rapaz maïs deseja e de que eu mal sei dizer os nomes? Hei de ainda ouvir calado agradecimentos, que não mereço, e que elle maïs de coração daría, a quem são de justiça devidos?

—­Não, tío Vicente; não se trata agora d’isso.

—­Ai, Lena, Lena, que não sei bem o que devo pensar de todas estás coisas.

A morgadinha parecia um pouco perturbada com as palavras do herbanario.

—­Que ha de pensar? Ha nada maïs natural? Angelo foi que me deu o exemplo. Elle sabia o amor que Augusto tem á leitura. Porém o cofre de Angelo é pequenino, bem sabe; emquanto que eu chego a nem saber em que hei de consumir o que me sobra. Por isso foi que me lembrei... porém como não conviria que eu propria fizesse o présente, nem