Página:Alguns homens do meu tempo.djvu/103

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que é este livro, elle proprio uma obra de arte, muito mais do que uma obra de critica.

Ninguem estava no caso de apreciar e de sentir melhor a arte hollandeza,―essa arte que teve, como nenhuma, a perfeição do detalhe na harmonia do conjuncto, a nota exacta na comprehensão larga,―do que Ramalho Ortigão, o escriptor que, no seu processo, realisa tão adoravelmente a formula naturalista d'essa inspirativa e grande escola, ante a qual os modernos se sentem ultrapassados e excedidos.

Pontos de vista notaveis, observações finas, analyse penetrante do assumpto, intuição maravilhosa de todos os segredos da arte―eis o capitulo que remata soberbamente este bello livro, d'um largo folego, d'uma ampla e serena inspiração.

O assumpto arrastou-me. Fui mais extensa do que tencionava, e ha n'esta critica um não sei quê audacioso na contradicção que a mim propria me espanta.