Página:Alguns homens do meu tempo.djvu/159

Wikisource, a biblioteca livre
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa


esperança, e o que não se abalance a nenhuma empreza humana

Toda a desgraça do homem, continua ainda o philosopho da velha India, é attribuir ás coisas d'este mundo duração, permanencia, e realidade.

«O mundo é uma illusão immensa.»

Não desejemos, para não soffrermos. Não amemos, para nos não prendermos ao que é illusorio e passageiro. Não esperemos, e, n'esse renunciamento absoluto (principio da moral bhudica, e fim da philosophia Schopenhaureana), encontraremos a paz, quer dizer, a extincção de todo o desejo, a morte de toda a sensação, o desprendimento de nós mesmos e da Vida universal.

N'esta doutrina tão velha, que o espirito germanico remoçou e como que adaptou ás complicações extraordinarias e imprevistas da vida moderna, acolhe-se adoravelmente o poeta em muitas das suas horas de desalento e de cançasso.