Página:Alguns homens do meu tempo.djvu/97

Wikisource, a biblioteca livre
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa


ha eccos de Shakespeare e visões de Ariosto, n'uma lingua que parece feita de gotas de luar e de raios do sol, de aromas indefinidos, de vagas scintillações fatuas, de vibrações de harpa eolia occulta entre os salgueiros, faz-nos a pintura palpitante, luminosa, musical, colorida, da Floresta da Haya, d'esse bosque sagrado que elle julga proprio para abrigar, na sombra estranha e dôce da sua densa ramaria mysteriosa, os amores profundos e tragicos, as sublimes paixões heroicas da lenda e da historia, o somno esquecido e calmo dos grandes deuses mortos, os divinos dialogos ardentes que os poetas puzeram na bocca dos seus amantes immortaes.

As casas e os individuos revellam-nos a delicada e fina efflorescencia que brota naturalmente do ideal religioso, moral, politico e artistico da raça hollandeza. Tal é o paiz, tal a familia.

Esta é sempre o reflexo do modo de sentir e pensar collectivo; e nunca á nação