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Página:Ana de Castro Osório - Ás Mulheres Portuguêsas (1905).pdf/108

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Ás mulheres portuguêsas

propagandistas, as brochuras que os chamam á consciencia da sua grande miseria; ou lê os romances sensacionaes, ultimamente, e por felicidade, substituidos pelos grandes romances historicos ás cadernetas, ilustrados, que têm a enorme vantagem — quando não tenham outra — de ser portuguêses e não habituar o povo a dizer nomes disparatados e ridiculos que lhe servem nas traduções.

Não lê no nosso paiz, a grande maioria dos homens, porque não encontram para isso campo que lhes sobre dos seus afazeres ou da vida desgarrada por cafés e clubs, na conversa de conhecidos e amigos encontrados sempre nas horas de sobejo.

Não lêem as mulheres, o que é muito peor. Porque é em toda a parte o grande publico feminino quem lê os poetas e os romancistas, quem assigna os magasines e revistas, quem conhece as mais interessantes brochuras de viagens, quem discute os seus autores, quem faz, emfim, uma reputação literaria.

Entre nós, a não ser nos centros intelectuais de que as mulheres só raramente fazem