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Página:Ana de Castro Osório - Ás Mulheres Portuguêsas (1905).pdf/136

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Ás mulheres portuguêsas

injustiças, sente-se derruir, sem bases seguras — esfacela-se lentamente até uma onde se apoiar derrocada ingloria e completa.

A pouco e pouco, aqui e ali, algumas bôas obras de solidariedade humana têm surgido da iniciativa particular, sem que os governos tenham sequer suspeitado da sua existencia.

E bom é que assim seja, porque só a iniciativa particular, persistente, honesta nos seus processos, sem charlatanismos oficiaes nem interesses politicos a desprestigiá-la, póde fazer mais em poucos mezes do que cincoenta annos dos embaraçantes processos de todos os governos.

É della que tudo ha a esperar, é da acção especial dos governados que confiâmos, pois que dos governantes pouco ou nada póde vir neste sentido, nem é justo, verdade seja, que delles se espere tudo, como se um povo não fosse mais do que ingenuo e eterno bébé sugando a mamadeira que lhe apresenta a criadora.

Tudo esperar do poder central é mostrar que nada podemos individualmente, ou que estamos satisfeitos com o pouco que nos concedem.