Escrevo hôje para denunciar, aos seus corações de mulheres e de mães, uma dôr que não roça pela epopeia, mas que na sua humildade é talvez mais aguda, que na rasteira obscuridade em que se gerou e cresce é talvez mais amarga para as almas criadas, como as nossas, para a alegria e para o amôr.
É adentro das nossas fronteiras, como quem diz em nossas casas, neste lindo paiz que nos viu nascer, debaixo da caricia dulcida deste sol que nos agasalha e alegra, que essa miseria subsiste: — mulheres e crianças que se extenuam trabalhando, e não ganham, com o seu trabalho, o quanto lhe baste para matarem a fome.
Sabemos nós todas, as mulheres: — que não pertencemos á galeria das privilegiadas, que dispensam, por abundancia de meios, conhecer e discutir o orçamento das suas casas — quanto se gasta em nossos lares modestos, comendo sem intemperança, vestindo sem luxo.
Pensemos, pois, o que seja trabalhar uma semana inteira e chegado o sabado encontrar entre os dedos, que o trabalho violento defor-