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criar maravilhas que superariam de longe as pirâmides do Egito e os aquedutos romanos, para citar Marx e Engels ainda uma vez (MARX; ENGELS, 2007). Todavia, há que recordamos das contradições intrínsecas ao conceito de modernidade abordado em princípio. Contradições que não passam ao largo das Notas de inverno sobre impressões de verão, em que não lemos apenas um relato descritivo, mas uma visão crítica e ácida de algumas das principais capitais do mundo. Com efeito, a despretensiosa obra de Dostoiévski é um interessante retrato, em cores vivas, de um tempo que não vivemos in loco, mas do qual somos herdeiros desgarrados.

Referências

BAUDELAIRE, Charles. Les fleurs du mal. Paris: Librio, 2011.

______. As flores do mal. Tradução, introdução e notas de Ivan Junqueira. Edição bilíngue. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985.

BENJAMIN, Walter. Obras escolhidas III - Charles Baudelaire - um lírico no auge do capitalismo. São Paulo: Brasiliense, 1995.

DOSTOIÉVSKI, Fiódor. O crocodilo e Notas de inverno sobre impressões de verão. 4ª ed. Tradução de Boris Schnaiderman. São Paulo: Editora 34, 2011.

JAUSS, Hans Robert. La modernité dans la tradition littéraire et la conscience d’aujourd’hui. In: ______. Pour une esthétique de la réception. Paris: Gallimard, 1978. p. 173-220.

SEGRILLO, Ângelo. Os russos. São Paulo: Contexto, 2012.

MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. O manifesto comunista. Tradução de Maria Lucia Como. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2007.

WOLLF, Virgínia. A maré de Oxford Street. In: Londres. Tradução de José Miguel Silva. Lisboa: Relógio d’Água, 2005.

[Recebido em janeiro de 2016 e aceito para publicação em abril de 2016]

Russian impressions of the modernity: Dostoyevsky traveling through Europe

Abstract: in the present study, I analyze the non-fictional text written by Fyodor Dostoyevsky (1821-1881) during his travels through Europe in 1862, Winter notes on summer impressions (1863) – work apparently unpretentious and that does not obey the formal rigor of any specific literary genre. At first and briefly, it matters to me highlight the origin of the word “modernity” in light of the etymological research of this term undertaken by the German theorist Hans Robert Jauss (1921-1997) and the conception elaborated by the French poet and critic Charles Baudelaire, especially in his poem À une passante. Subsequently, some of the main excerpts from Winter notes... regarding the physical descriptions of the cities will be commented to emphasize, mainly, the critical look with which Dostoyevsky viewed the

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Anu. Lit., Florianópolis, v. 21, n. 1, p. 70-80, 2016. ISSNe 2175-7917